Epicuro: sobre prazer e a plenitude humana

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Epicuro e a plenitude humana



A plenitude definida por Epicuro é aquilo que significa para nós o ideal de uma vida agradável, feliz e realizada. Desfrutada no seu ápice, no máximo do prazer, pois todos são capazes de compreender a limitação de tempo, liberdade e oportunidades que tem cada vida humana. Logo o que se espera é que todo indivíduo viva sempre, e sem demora, o ponto alto da sua existência. 

Seria, portanto, a busca por esse prazer pleno um dos objetivos da vida humana? Talvez seja um conceito apenas provocativo, que nos sirva de farol, para que todo ser humano se lance ao topo da existência para desfrutar dessas limitações, desprendendo-se nesse empenho no processo, de qualquer das formas do sofrimento.

A base para essa compreensão de plenitude é um realismo puro e simples, apesar de que a aceitação da realidade pode ser muitas vezes um processo doloroso, pois já estamos esclarecidos pela prática da vivência dos momentos em nossa vida, que o sofrimento logo é substituído por uma alegria também momentânea e depois por qualquer outro sentimento; mais tarde tendemos a sofrer novamente e assim por diante. É este o fluxo natural da vida. 

A ideia central do pensamento epicurista* por sua vez é assimilar a maior quantidade possível dos prazeres da vida: felicidade, tranquilidade, realização e assim por diante. A fim de criar um movimento ininterrupto, estendendo o máximo possível os instantes onde estamos plenos do prazer, mitigando essa dor existencial.


"A magnitude do prazer atinge seu máximo limite na remoção de toda dor. Quando o prazer está presente, desde que seja ininterrupto, não há dor nem do corpo, nem da mente, nem de ambos ao mesmo tempo."

"Se todos os prazeres fossem acumuláveis, se não fossem apenas recorrências no tempo, mas em todo o contexto ou, pelo menos, nas partes principais da natureza humana, nunca haveria diferença entre um prazer e outro, como de fato existe.

"Se os objetos geradores de prazeres para propiciar às pessoas realmente as libertassem dos medos da alma, nunca teríamos nenhuma falha a encontrar com tais pessoas, pois elas seriam então preenchidas com prazeres que transbordariam por todos os lados e estariam livres de toda dor."

Epicuro, Máximas e preceitos



O elemento central desta reflexão é o valor dos prazeres moderados, enquanto alicerces da construção da nossa plenitude. Entendendo por prazer as coisas simples oriundas da busca por conhecimento, por exemplo, ou dos relacionamentos humanos, das ocupações em geral e até das necessidades fisiológicas como alimentação e o descanso. Enfim, tudo aquilo aprazível a alma que, por conseguinte, afeta também o corpo e nossa vida de alguma forma.


"Nenhum prazer é em si mesmo um mau, mas as coisas que produzem certos prazeres acarretam aborrecimentos muitas vezes maiores do que os prazeres.

Epicuro, Máximas e preceitos


Notas:


*Epicurismo estabelece que a plenitude está diretamente ligado com a busca pelos prazeres moderados e ininterruptos.

*Epicuro nasceu na ilha grega de Samos, de pais atenienses. Foi um dos principais filósofos no período helenístico e fundador do epicurismo.



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