Pouco conhecia da obra de Manuel Bandeira, poeta e escritor brasileiro, agora tenho me interessado mais pela vida dele e sua poesia. Quase afirmo, que podemos ver em suas métricas o pior dele, de bom grado.
A coletânea de bolso publicada pela editora L&PM, foi a minha melhor chance de lhe abrir as portas, e que visita senhores! Com o título de "Uma Antologia Poética" reunindo numa coletânea o melhor da poesia do autor. Enclausura junto dela o objeto desta crítica, "A cinza das horas", composto de 17 poemas, destaco a gosto, "Epígrafe", "Desencanto" e "Renúncia"; também chamam atenção os que trazem lembranças do autor como "Cartas de meu avô".
Passei dias redobrando as "Cinzas", e que horas! Tenho ainda hoje, sempre que possível me repetido ao seu encalço, como quem passa a noite alimentando uma fogueira esperando as cinzas brotarem. É o tipo de poesia que se sente na veia, na vida, de quem entristece com a melancolia tão viva que habita o mundo.
"Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugiu como um furacão."
Se fosse enumerar seus pontos críticos, diria primeiro do olhar pessimista que Bandeira passa sobre a vida, depois da melancolia causada por uma certa nostalgia da infância e dos bons tempos. De uma infância feliz comparada a vida já mastigada e sendo digerida por um homem maduro e realista. Dessa percepção é que nasce a triste melancolia, carregada pela nostalgia e o abatimento pelo qual o autor municia seus versos neste livro.
"Sou bem nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis."
"A nossa infância,
Ó minha irmã,
Tão longe de nós."
A cinza das horas é um livro com alma, como penso eu, todo livro de poemas deve ser, deve tocar o outro onde dói, na alma que responde ao mundo e suas aflições e verdades.
"Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira.”

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