Da repetição à maestria

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Aprender algo novo tem o seu valor intrínseco, mas a repetição é o que torna os seres humanos efetivamente inteligentes e faz da arte uma arte e um prazer. Existe um antigo ditado jesuítico que diz: repetição... com correção... até a exaustão... leva à perfeição; ou à maestria e o porque não a excelência do hábito. As virtudes podem ser aplicadas sobre qualquer circunstância da vida e pretexto. Enquanto estava na escola de recrutas durante o serviço militar, era comum repetir essas palavras num mantra várias vezes ao dia até que o fluxo delas fossem como o sangue correndo nas veias.

Nenhum conhecimento, hábito ou estado da arte pode ser assimilado, nem preservado pela inteligência se o temos uma única vez diante dos sentidos e logo o abandonamos, porque parte do estudo é relembrar aquilo que aprendemos como se algo novo fosse. O esquecimento naturalmente surge quando se enfraquece a memória. O que aprendemos deve se torna parte de nós, usufruindo assim do poder transformador que o conhecimento nos oferece — na verdade, não se ver outras utilidades além do aprimoramento e da partilha. Do contrário, seriamos todos ignorantes pelo resto da vida; como os macacos de Darwin.

Adquirir conhecimento é como beber água. De nada adiante lembrar quando o corpo já está com sede, e se não temos uma boa fonte de água para matar essa sede, morre-se seco, como as árvores no deserto. Da mesma forma não se pode tomar água suja para suprir tal necessidade. Em todo caso, a aprendizagem pode ser encarada como alguém precavido que carrega sempre consigo um cantil cheio, um livro aberto e sua arte, vivendo a "exaustão" a custo da maestria no progresso da inteligência.


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